Arte Africana

A arte africana exprime usos e costumes das tribos africanas. O objeto de arte é funcional, criado para ser utilizado, ligado ao culto dos antepassados, profundamente voltado ao espírito religioso, característica marcante dos povos africanos. É uma arte extremamente representativa. A arte africana chama atenção pela sua forma e estética. Nos simples objetos de uso diário como ornamentos e tecidos, expressam muita sensibilidade. Nas pinturas, assim como nas esculturas, a presença da figura humana identifica a preocupação com os valores étnicos, morais e religiosos. A escultura foi amplamente usada pelos artistas africanos utilizando o ouro, bronze e marfim. As máscaras têm um significado místico e importante da arte africana, uma vez que representam um disfarce para a incorporação dos espíritos e a possibilidade de adquirir forças mágicas. São usadas nos rituais e funerais. São confeccionadas de barro, marfim, metais, mas o material mais utilizado é a madeira. São modeladas em segredo na selva para estabelecer a purificação e a ligação com a entidade sagrada. O maior acervo da arte antiga africana encontra-se nos museus da Europa Ocidental.

    

INTRODUÇÃO À ARTE AFRICANA

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Existem muitos preconceitos com relação à arte africana e à África em geral. A denominação genérica de africano engloba maior quantidade de raças e culturas do que a de europeu, já que no continente africano convivem dez mil línguas, distribuídas entre quatro famílias, que são as principais. Daí ser particularmente difícil encontrar os traços artísticos comuns, embora, a exemplo da Europa, se possa falar de um certo aspecto identificador que os diferencia dos povos de outros continentes.

O fato de os primeiros colonizadores terem subestimado essas culturas e considerado suas obras meras curiosidades exóticas, provocou um saque sem sentido na herança cultural desse continente. Recentemente, no século XX, foi possível, graças à antropologia de campo e aos especialistas em arte africana, organizar as coleções dos museus europeus. Mas o dano já estava feito. Muitos objetos ficaram sem classificação, não se conhecendo assim seu lugar de origem ou simplesmente ignorando-se sua função.

E isso é muito importante para a análise da obra. A arte africana é eminentemente funcional. Mais ainda, não pode ser entendida senão com base no estudo da comunidade que a produziu e de suas crenças religiosas. Basicamente os povos africanos eram animistas, prestavam culto ao espírito de seus antepassados. Outros chegaram a criar verdadeiros panteões de deuses, existindo também os povos monoteístas. Some-se a isso a influência dos primeiros colonizadores portugueses, que cristianizaram várias regiões.

O auge da arte africana na Europa surgiu com as primeiras vanguardas, especificamente os fauvistas e os expressionistas. Estes, além de reconhecer os valores artísticos das peças africanas, tentaram imitá-las, embora sempre sob a ótica de suas próprias interpretações, algo que colaborou em muitos casos, para a distorção do verdadeiro sentido das obras. Entre as peças mais valorizadas atualmente estão, apenas para citar algumas, as esculturas de arte das culturas fon, fang, ioruba e bini, e as de Luba.



ARQUITETURA NA ARTE AFRICANA

A arquitetura africana teve um caráter utilitário, em vez de comunitário, e salvo raras exceções nunca foi empregada, como no resto das civilizações, como representação de poder. Comum a todos os povos foi a utilização de materiais pertencentes à sua região geográfica e o uso intencional e comedido dos materiais em equilíbrio com o meio ambiente. Independentemente de sua hierarquia, todos possuíam o mesmo tipo de casa, não como expressão de igualdade, mas de pertinência ao mesmo grupo.

Os materiais utilizados variavam, então, segundo a região, mas normalmente eram semelhantes: desde o barro até fibras secas tecidas, ou uma combinação de vários. De modo geral, o povoado se protegia com uma muralha de barro, que rodeava e marcava os limites da aldeia. A exceção a esse tipo de arquitetura rudimentar são os povos de Gana e Mali, no sudoeste, que construíram palácios de plantas variadas e o reino de Lalibela, a leste, onde, a partir do século XIII, foram escavados edifícios e templos nas rochas das montanhas.



ESCULTURA NA ARTE AFRICANA

As esculturas, na arte africana, tiveram uma função semelhante à das máscaras. Apesar disso, encontraram-se também amostras de uma arte representativa, como alguns retratos intencionalmente naturalistas de reis e membros das cortes de certas nações, nas quais ocorreu uma organização mais parecida com a das monarquias ocidentais. As sociedades de religião animista realizavam um tipo de escultura cuja função era substituir os membros falecidos da família.

As figuras de culto com fins mágicos, que a exemplo dos relicários abrigavam uma diversidade de objetos, eram uma espécie de Assemblages especialmente realizadas por bruxos, seguindo uma fórmula específica. Os povos politeístas, como os yorubas e os binis, modelaram peças de grande valor, em marfim, ouro e bronze, de um desenho singular, muitas delas encomendadas pelas cortes européias. Quanto à técnica, os africanos utilizaram o processo da cera perdida um século antes dos europeus.

As obras de arte mais comuns obtidas por esse processo eram bustos e cabeças, como as do tesouro do rei de Benim, saqueado no século XIX pelas tropas inglesas. Foi dessa forma que chegou até a Europa grande parte das esculturas de marfim, ferro e bronze. As figuras eram de um naturalismo surpreendente, e nelas podiam ser vistos muitos dos costumes rituais desses povos. No entanto, quando não eram figurativas, apresentavam então traços estilísticos muito diferentes, que refletiam a liberdade criativa de seus artistas.

No que se refere à ourivesaria, um dos povos que melhor trabalharam nessa área foram os aschantis , já que o ouro abundava em suas terras. Esse povo produzia peças de um preciosismo e uma delicadeza surpreendentes na técnica da filigrana. A eles seguem-se os nativos da Costa do Marfim. Estes, além de peças religiosas, produziram obras com fins decorativos, entre elas máscaras muito naturalistas de personagens legendários, que eram utilizadas numa cerimônia de caráter muito parecido com uma representação teatral.



MÁSCARAS NA ARTE AFRICANA

As máscaras sempre foram as protagonistas indiscutíveis da arte africana. A crença de que possuíam determinadas virtudes mágicas transformou-as no centro das pesquisas. O fato é que, para os africanos, a máscara representava um disfarce místico com o qual poderiam absorver forças mágicas dos espíritos e assim utilizá-las em benefício da comunidade: na cura de doentes, em rituais fúnebres, cerimônias de iniciação, casamentos e nascimentos. Serviam também para identificar os membros de certas sociedades secretas.

Em geral, o material mais utilizado foi a madeira verde, embora existam também peças singulares de marfim, bronze e terracota. Antes de começar a entalhar, o artesão realizava uma série de rituais no bosque, onde normalmente desenvolvia o trabalho, longe da aldeia e usando ele próprio uma máscara no rosto. A máscara era criada com total liberdade, dispensando esboço e cumprindo sua função. A madeira era modelada com uma faca afiada. As peças iam do mais puro figurativismo até a abstração completa.

Quanto à sua interpretação, a tarefa é difícil, na medida em que não se conhece sua função, ou seja, o ritual para o qual foram concebidas. Os colonizadores nunca valorizaram essas peças, consideradas apenas curiosidade de um povo primitivo e infiel. Paradoxalmente, a maior parte das obras africanas encontra-se em museus do Ocidente, onde recentemente, em meados do século XX, tentou-se classificá-las. Na verdade, os historiadores africanos viram-se obrigados a estudar a arte de seus antepassados nos museus da Europa.

Bibliografia:
Enciclopedia Multimedia del Arte Universal©AlphaBetum Multimedia

Arte na África

O continente africano, por sua vasta extensão, apresenta inúmeros povos diferentes, com costumes e arte característicos. De uma maneira geral, a atividade migratória é bastante grande dentro dessas tribos.

Os pigmeus, por exemplo, povos caçadores, devido a freqüência de migrações que costumam  realizar, constroem suas casas de maneira simples, com galhos e folhas, dando pouco espaço para o desenvolvimento da arquitetura ou das artes plásticas de uma maneira geral.  

Entretanto, a maioria desses povos tem no pastoreio - que também exige constantes mudanças em busca de terras melhores - sua principal atividade. As artes plásticas, nessas condições, ficam seriamente restritas aos trabalhos, como decorações no corpo e aos vasos onde, por exemplo, armazenam leite. A pintura parece ser atividade bastante apreciada por essas tribos, realizadas em superfícies como pedras.

O melhor exemplo desse tipo de prática pode ser dado pelas pedras decoradas do Saara, realizadas durante interrompidos períodos de tempo em que povos pastores por ali passavam, muito provavelmente em seus ritos de iniciação para a vida adulta, tema freqüente da arte primitiva.

Entretanto, tem sido de povos agricultores, os mais conhecidos exemplos da arte africana, como esculturas, a princípio colecionadas por arqueólogos e etnografistas do século XIX. A arquitetura também pode desenvolver-se nessas áreas. Entre os povos migratórios, a escultura só pode ser realizada em pequena escala.  

Os Ife, cuja cultura floresceu entre os anos 1 000 e 1 500 da Era Cristã, na região da Nigéria, eram conhecidos pelo seu estilo de esculturas em bronze mais naturalistas (principalmente nas representações da cabeça, uma vez que o restante do corpo não possuía aproximação com as proporções reais). Existe uma variação bastante grande dos tipos de trabalhos encontrados nesse povo, sobretudo pela enorme quantidade de artistas que os realizavam. Entre os séculos XII e XIV, pode ser notada, entretanto, uma diretriz comum fornecida pela religião e uma maior homogeneização das obras.

O povo Benin - também na Nigéria e também influenciado pela cultura Ife - do século XIV ao XIX manteve boa produção de esculturas em bronze, que foram caminhando ao longo do tempo, de um certo naturalismo para uma estilização cada vez maior. São especialmente famosas suas representações complexas e cheias de vida de seus reis e líderes, como a cabeça de uma princesa que pode ser observada no Museu de Londres.

Pinturas de animais também foram freqüentes na arte africana, representando inclusive animais já extintos, como é freqüente nos desenhos em pedra do Saara . Representações de leões , elefantes , antílopes e humanos armados para caçá-los foram encontradas por europeus do século XVIII e XIX. As figuras de animais encontradas no Saara costumam estar divididas em 4 fases.  

Bubalus Antiquus é a primeira delas, em que são representados animais selvagens (como o extinto búfalo) normalmente em larga escala e com preocupações naturalísticas como a riqueza de detalhes. Reflete um estilo de vida caçador e é seguido pelo Período Pastoralista, que apresenta menor preocupação com o naturalismo e com os detalhes. Esse segundo período é caracterizado por representações em menor escala e figuras humanas armados com ossos (no período anterior, quando os homens apareciam, costumavam estar armados com objetos como pedaços de pau). O Período do Cavalo é o próximo, em que os animais domésticos vão ganhando espaço, a estilização aumenta, o tamanho das representações diminui e as armas se incrementam. Cavalos, primeiramente puxados por carroças e posteriormente guiados diretamente pelos homens também são freqüentes. O Período do Camelo é o último, em que esse animal é bastante mostrado, sendo ainda hoje o animal doméstico mais utilizado no Saara.  

No período compreendido entre os anos de 1000 a 1400 d.C., a arte na África, predominantemente na cultura Ife, passa a incorporar em si as novas técnicas de fundição do bronze. Materiais de diversas naturezas passam a ser utilizados conjuntamente, como por exemplo as obras entalhadas em madeira e recobertas com latão (tribo Bakota, no Gabão).
As máscaras surgem como novos objetos artísticos, tratando-se de representações antropomórficas das forças sobre-humanas ou divindades que estes povos cultivavam em seu imaginário religioso. Exemplos disso podem ser vistos nestas figuras mostradas aqui. 
Observou-se também que os artistas africanos geralmente trabalham como especialistas, recebendo treinamentos de artistas já estabelecidos da própria comunidade ou de outras áreas. Em alguns povos antigos, tais como o povo Benin, já citado, existia uma espécie de sistema de corporação organizado que controlava o treinamento dos jovens artistas. Nas proximidades de Yoruba, uma outra tribo localizada no sudoeste da Nigéria, importantes escolas de artistas foram desenvolvidas em centros locais familiares. Freqüentemente a profissão de artista era vista como algo hereditário, com o talento sendo passado de geração em geração. A criatividade e o sucesso da arte estavam relacionados com um dom natural que viria, segundo a tradição, de um ancestral divino. Os lugares de trabalho e os materiais empregados também eram importantes para o artista durante o processo. Freqüentemente eles eram controlados por leis religiosas.  

Arte Africana Contemporânea

Muitas das chamadas artes tradicionais da África estão sendo ainda trabalhadas, entalhadas e usadas dentro de contextos tradicionais. Mas, como em todos os períodos da arte, importantes inovações também têm sido assimiladas, havendo uma coexistência dos estilos e modos de expressão já estabelecidos com essas inovações que surgem. Nos últimos anos, com o desenvolvimento dos transportes e das comunicações dentro do continente, um grande número de formas de arte tem sido disseminadas por entre as diversas culturas africanas. 

Além das próprias influências africanas, algumas mudanças tem sua origem em outras civilizações. Por exemplo, a arquitetura e as formas islâmicas podem ser vistas hoje e algumas regiões da Nigéria, em Mali, Burkina Faso e  Niger. Alguns desenhos e pinturas do leste indiano tem bastante similaridade em suas formas com as esculturas e máscaras de artistas dos povos dibibio e Efik que se estabelecem ao sul da Nigéria. Temas cristãos também tem sido observados nos trabalhos de artistas contemporâneos, principalmente em igrejas e catedrais africanas. Vê-se ainda na África, nos últimos anos, um desenvolvimento de formas e estruturas ocidentais modernas, como bancos, estabelecimentos comerciais e sedes governamentais. 

Os turistas também tem sido responsáveis por uma nova demanda das artes, particularmente por máscaras decorativas e esculturas africanas feitas de marfim e ébano. O desenvolvimento das escolas de arte e arquitetura em cidades africanas, tem incentivado os artistas a trabalhar com novos meios, tais como cimento, óleo, pedras, alumínio, com uma utilização de diferentes cores e desenhos. Ashira Olatunde da Nigéria e Nicholas Mukomberanwa de Zimbábue estão entre os maiores patrocinadores desse novo tipo de arte na África. 

Africana - A classificação genérica de africano é mais variada e vasta do que americano ou europeu. Falam-se 10.000 diferentes línguas na África, apesar de originadas de poucos grupos. O continente foi colonizado por várias nações européias e a variedade cultural é enorme. Como, então, encontrar traços artísticos que sejam comuns em todos os lugares da África? Falar de arte africana é como falar de arte européia. Impossível classificar tudo debaixo de uma única palavra e o tema exige um estudo muito vasto, maior do que cabe em CyberArtes. O jeito é falar do que é mais comum e mais característico e excluir o que é muito pequeno. Excluirei também o que é muito grande e merece uma classificação própria. O Egito, por exemplo, fica na África, mas não vamos considerar aqui a arte egípcia. Cleópatra que me perdoe.
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